
A arte interpreta a vida cotidianamente. Em algum lugar do planeta, no mesmo segundo, certamente há muito mais de uma pessoa pensando ou criando a partir do que está ao seu redor. Perante uma pandemia, essas conexões, infelizmente via dor, aglutinam-se e podem – e devem – ser compartilhadas.
A obra “Expulsão do paraíso @ covid 19: na saída escolha sua máscara”, tela pintada com tinta acrílica por Marinilda Boulay, artista radicada em Socorro, SP, que realiza, com Rosângela Politano, a BÏNaif - Bienal Internacional de Arte Naif -Totem Cor-Ação, oferece a sua visão deste momento da humanidade.
Um elemento essencial para a artista é a questão indígena. Como não refletir sobre a maneira como os habitantes autóctones do Brasil foram tratados pelos colonizadores (invasores) e como correm riscos perante a atual COVID-19? As múltiplas etnias, que já vêm sendo ameaçadas há muito tempo, passam por um momento que demanda ainda mais cuidados.
Na cena central, a expulsão de Adão e Eva do Paraíso é tratada de forma irônica, acentuada pelo título da obra. A perspectiva é que o ser humano, seguro de si e da tecnologia, pode estar sofrendo uma segunda expulsão de uma realidade aparentemente ideal. A busca de uma nova normalidade demandaria um cenário a ser construído de solidariedade, sensibilidade e amor.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br