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A estética das janelas

A estética das janelas
15/05/2020

Tradicionalmente, as janelas costumam ser vistas como símbolos de transição. São locais pelos quais se permite a quem está dentro acessar o que está fora e vice-versa. É exatamente esse jogo entre o interior e o exterior que torna o tema tão querido por artistas plásticas de todas as gerações e estilos.

A janela fechada é uma proibição; aberta, indica a possibilidade do diálogo – e a mulher junto à janela é um assunto clássico, relacionado com a sensualidade e a disponibilidade para o amor. Os conceitos de público/privado estão muito associados a esse tópico, pois, da janela para dentro acontecem, no particular, fatos que se deseja, às vezes, reservar do coletivo.

Há dois elementos visuais muito ligados às pinturas que tratam de janelas. O primeiro é a luz e seu amigo inseparável, a sombra. As cores e suas tonalidades dependem da maneira como cada criador visual responde aos desafios de lidar com dois ambientes ao mesmo tempo, seja numa perspectiva realista, simbólica, impressionista ou expressionista.

Se entendermos ainda o espaço da casa como metáfora da mente, a janela é a possibilidade de se abrir para aquilo que é diferente de nós. O que está fora gera ruído, seja um vento que transforma ou algo inesperado que se vê. Analogamente, somos metamorfoseados pelas janelas, e a maneira como os pintores as representam dizem muito deles –  e de nós. 

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br