
A nova realidade mundial estabelecida perante a COVID-19 vem trazendo à tona numerosas discussões. Algumas delas, antes mais reservadas aos teóricos, começaram a integrar o nosso cotidiano. É o caso dos limites entre o espaço da casa e o externo. Em certos momentos, quando se discutia essa fronteira, ela era tênue. Hoje o debate ganhou outra dimensão.
É o que aponta a imagem de Luciana Mariano que ilustra este post. Embora produzida antes da pandemia, apresenta, no mínimo, um elemento essencial que a torna de uma atualidade muito rica em interpretações. A personagem central, que aconchega o gato em seu colo, entre uma cadeira e uma mesa de chá, parece estar em local seguro e aprazível.
Mas, ao fundo, temos um elemento interrogador. O que está atrás da personagem central é mesmo uma parede como parece indicar o retrato em um primeiro momento? Sendo assim, as nuvens e a cor azul, que remetem a um céu, seriam uma pintura? Ou o fundo é um espaço externo em que há um quadro misteriosamente pendurado?
Não se trata de ter uma resposta certa ou errada, mas de reunir novos elementos para pensar como o que está dentro ou fora de casa ganha hoje novos valores. Há aspectos físicos e psicológicos no confinamento. As nuvens brancas e o azul do céu talvez estejam dentro de nós. Cabe a cada um buscar a melhor maneira de derrubar paredes e levar a mente ao infinito.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br