
A relação entre estar em casa e fora de casa ganhou uma nova dimensão com a pandemia causada pelo novo coronavírus. Nunca se pensou tanto no que significa o público e o privado em uma esfera cotidiana, já que a questão já era tratada por diversos ramos acadêmicos, principalmente na sociologia e psicologia.
Natural e Belo Horizonte e radicada em Divinópolis, MG, Ge Guevara consegue, no presente trabalho, motivar numerosas reflexões sobre os sentidos de estar no confinamento, principalmente quando, nas recentes semanas, há um clima ensolarado, convidativo para sair. Mas ficar em casa é a recomendação mundial para cuidar de si e dos outros.
Na tela, dentro de casa, a artista pinta uma colorida borboleta, a voar conquistando o espaço. As flores se fazem presentes tanto dentro de um vaso, na casa, como no desenho da criança que desenha ajoelhada no chão, como no vestido da pintora e ainda no cenário fora da residência. Cria-se assim uma harmonização visual que aponta para um futuro melhor que virá.
A assinatura da artista, que sai de um traço preto junto ao chinelo; o gato, único a olhar o observador; e o branco que sugere rendas na cortina da janela e na toalha embaixo do vaso de flores contribuem para um tom lírico e equilibrado. Tudo parece estar em seu lugar – e está. O desejo é que possa voltar a estar assim, com a liberdade e a segurança de ir e vir sem medo.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br