textos

diárias de bordo

Arte em tempo de Coronavírus (164)

Arte em tempo de Coronavírus (164)
09/05/2020

As formas psicológicas e artísticas de lidar com a pandemia associada à COVID-19 são as mais variadas possíveis. Vão desde um sentimento de profundo pessimismo, na linha de que o planeta está castigando o ser humano pelo mau tratamento que vem recebendo, aos que acreditam que haverá um renascimento emocional marcado por valores mais solidários.

Não se trata de definir o que é certo ou errado, mas de verificar como as manifestações plásticas vão se articulando internamente em busca dos resultados desejados. A obra de Willi de Carvalho sobre o assunto, por exemplo, desde o título, aponta para uma atmosfera aparentemente pessimista, mas que os números da situação atual confirmam.

Intitulado “Corona Mortis”, o trabalho apresenta um ser numa pose próxima à de um ser mitológico, com um enorme coronavírus a título de coroa. Surge assim como um todo-poderoso Júpiter ou Netuno, deuses mitológicos gregos, com seu cajado cravado sobre o planeta Terra, no qual estão fincadas numerosas cruzes.

A capa, ligada ao poder e ao mistério; o tronco esquelético; o corpo pleno de escamas; e o rosto com feições que referenciam máscaras ritualísticas acentuam a malignidade do ser central, protagonista de uma mortandade. Essa atmosfera, reforçada pelas cores rebaixadas, aponta para o luto e a dor. Que o poder desse ser seja abreviado o quanto antes...  

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br