
O cotidiano de todo o planeta se alterou com o coronavírus, a COVID-19 e a pandemia. Radicada na Finlândia, a artista visual Luciana Mariano nos apresenta um cenário que pode ser, de maneira esquemática, dividido em três partes. Embora tenham características próprias, elas se entrelaçam.
Um cenário é o dos prédios, em que as pessoas estão junto às janelas, teoricamente protegidas. É delas que olham para o mundo. Tornam-se espetadores do que acontece fora, na mescla, muito comum em nossos tempos, de desejo de sair de casa e de voltar à vida normal, mas, ao mesmo tempo, do receio, medo ou pavor de contrair ou transmitir a doença.
Na região central do trabalho, encontramos as pessoas caminhando na calçada. A atmosfera é de chuva e surgem dúvidas se a motivação dessas pessoas para ali estar é essencial, religiosa ou constitui mera irresponsabilidade social. De onde vem e para onde vão são perguntas comuns que ganham uma dimensão existencial dentro de parte do saber filosófico grego.
Uma terceira dimensão é a da rua propriamente dita, com o caminhão com a mensagem de ficar em casa e o motoqueiro em sua jornada de idas e vindas. Talvez o grande momento, porém, infelizmente, esteja na família sentada no meio-fio, mal conseguindo se proteger da água. São aqueles que, em qualquer situação, sempre mais sofrem.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br