
O que leva um artista a criar? Qual é o motor que praticamente motiva a escrever, desenhar, pintar, esculpir ou realizar alguma atividade expressiva, em que o criador interprete, de alguma maneira, com a técnica que escolher, o mundo? Naturalmente, esse exercício conduz também a um autoconhecimento.
Embora a atividade do artista tenha elementos de solidão, quando se pensa nas ações do ateliê, o atual momento de isolamento social coloca mais um dado, que é o desse confinamento não ser uma escolha pessoal, mas uma imposição devido a uma necessidade maior de saúde pública.
Marli Takeda nos encaminha um de seus trabalhos mais recentes que, de certa maneira, ilustra como o andamento do processo criativo sofre idas e voltas em situações externas de crise. Comenta que inicialmente se voltou para o recorte dos adesivos que recicla, numa atitude mais silenciosa e introspectiva, para depois partir para pinturas menores que crescem.
O vermelho dos fundos e a utilização da nobreza de amarelos e dourados são caminhos para continuar pesquisando. Sua arte, que tem, nas justaposições, sobreposições, transparências e combinações, elementos fundamentais, consiste, por ser motivada por misteriosas razões interiores, uma busca de soluções coloridas. Que elas perdurem no amanhã!
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br