
Imaginar é uma forma de viver. Trata-se de uma válvula de escape ao mundo contemporâneo. Criar imagens irreais (e todas elas são, em última análise) estabelece um respiro ao cotidiano. A mente precisa encontrar locais seguros para existir e sobreviver – e a arte é um desses locais em que todo impossível se torna possível.
Michelle Angelillo exerce a prática artística de interpretar o mundo com rara felicidade na imagem que ilustra este post. Seguramente um ponto essencial é que a sua composição visual traz uma imagem de esperança em um momento em que o mundo como um todo mostra seu cansaço físico e psicológico com a pandemia causada cela COVID-19.
No alto, estão os coronavírus, já distantes dos seres humanos. A silhueta de uma pessoa surge na parte inferior, de costas, olhando para natureza. Entre eles, dois elementos significativamente muito simbólicos: as borboletas, ligadas ao renascimento da vida, pois passam do isolamento no casulo para a liberdade do ar, e o arco-íris, elo entre o céu e a terra.
O nome do fenômeno meteorológico vem da mensageira grega que realizava o contato entre deuses e homens; e, na Bíblia, o arco-íris, que vem após a chuva, indica a aliança entre Deus e a Humanidade após o Dilúvio, ou seja, após a dor e o sofrimento, vem um período de amor e de reconstrução. Que assim seja...
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br