

Em momento de isolamento social, parece que todo mundo quer voar. Existe o desejo de buscar novos horizontes – e nem precisam ser tão distantes assim. O sentimento de se estar fechado no espaço, em território limitado, leva muitos a terem novos tipos de sonhos, por vezes estranhos. Romper as barreiras físicas e mentais torna-se um desafio.
Mesmo com a consciência de que estar confinado é um bem para si mesmo e para os outros, a mente deseja sair. E a metáfora das asas é muito contundente nesse sentido. Alçar voo torna-se uma forma de manter a saúde mental e de acreditar em um amanhã em que sair às ruas volte a ser um ato comum - e não mais um gesto de liberdade.
“Liberdade”, o díptico de Sandra Huang, fundamenta sua beleza justamente na procura do sonho. A figura central remete a um pássaro visto de cima, mas as asas aludem às de uma borboleta, inseto associado ao símbolo do renascer, já que se liberta do casulo para galgar o espaço. Os corações indiciam o amor universal, e a natureza, uma harmonia coletiva perdida.
Quanto mais o confinamento se prolonga, mais as asas parecem crescer. Olhar pela janela torna-se um ato de procura do afeto do outro e de encontro com um mundo que certamente deixará de existir, assumindo novas dimensões e proporções. É impossível antecipar se a nova realidade, o chamado novo normal, será melhor ou pior, mas, com certeza, será diferente.
Veja o díptico de Sandra Huang em: https://www.facebook.com/odambros
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br