
Médicos apontam que os estragos que o coronavírus podem fazer no organismo são bem maiores do que se pensava em um primeiro momento. A sua ação devastadora, principalmente nas pessoas com a imunodeficiência abalada, gera o pânico que paralisa e o medo que nos conduz a ações de prevenção, como uso de máscaras e higienização.
Radiologista, o italiano Michele Angelillo já utilizava os raios-X em diversas produções artísticas, valendo-se da luminosidade e da fotografia em suas composições. No presente momento, o seu conhecimento profissional, ainda mais em um país que passou – e passa – por momentos tão difíceis, gera imagens de elevada intensidade.
Talvez uma das mais fortes seja justamente a que ilustra este post. Temos aqui um fundo preto, os pulmões em cinza e os coronavírus, em vermelho, ali alojados. O resultado visual fala por si só, mostrando uma batalha em que a derrota leva o ser humano à morte. E cada vida perdida deve ser lamentada de forma carinhosa e respeitosa.
Quando se contabilizam doentes e falecidos, corre-se o perigoso risco de se esquecer da humanidade de cada pessoa afetada, tornando-a uma fria estatística. A imagem de Michele Angelillo nos alerta para isso de maneira contundente. Cada pulmão afetado é de um ser, não de um número – e deve-se fazer tudo, em todas as esferas, para que se recupere.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br