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Arte em tempo de Coronavírus (139)

Arte em tempo de Coronavírus (139)
03/05/2020

Em momentos de crise, como a que o mundo passa hoje, perante a COVID-19, ainda à espera de uma solução, por meio de medicamentos de atuação cientificamente comprovada ou de uma vacina testada, surgem reações que podem ser sumarizadas em dois grupos: aqueles que veem o momento de forma caótica e os que acreditam em um amanhã melhor.

Tanto uns quanto outros, não sendo agnósticos ou ateus, costumam unir suas mãos em forma de oração para as mais diversas divindades, na perspectiva de retomada daquilo que a palavra religião significa, ou seja, religar-se a si mesmo e ao mundo. Dessa maneira, para muitos, a reconstrução individual e coletiva poderia acontecer de forma menos traumática.

A imagem de Michele Angelillo que ilustra este post trata a questão de maneira visualmente plena de significados. Perante um fundo preto, que evoca um universo infinito dominado pelo desconhecido, e os coronavírus em vermelho, prontos a atacar nossas defesas imunológicas, surgem duas mãos unidas, elevadas em posição de oração.

As mãos juntas simbolizam a súplica, um ato de entrega a um ser divino, maior do que cada pessoa individualmente. O fato de estarem unidas revelam ainda concentração de energia, ou seja, a concentração pela busca de um bem comum, em que o coletivo supere o individual. É pensando assim que uma sociedade pode mitigar os danos de uma pandemia.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br