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Arte em tempo de Coronavírus (136)

Arte em tempo de Coronavírus (136)
03/05/2020

É possível conceber a chamada realidade de muitas maneiras. A arte é uma delas. E, dentro dela, a quantidade de perspectivas é infinita. Os enquadramentos a serem escolhidos são de fato inúmeros. Cabe a cada criador visual estabelecer a maneira que acha mais pertinente de expressar a sua visão.

Andrea Ramos, por exemplo, na imagem que ilustra este post, apresenta uma escada e um ciclista passando na rua em uma composição original. O olhar que ela lança para o mundo revela uma delicadeza do pensar e do existir. Tecnicamente, a escolha de fazer o corrimão da escada de maneira mais realista provoca um curioso efeito.

É como essa parte da imagem fosse um enlace entre o local de onde se vê a cena e o mundo. A escada torna-se uma espécie de ponte entre o que está dentro e o que está fora. O ciclista, sutilmente sugerido, adquire uma dimensão impressionista, fantasmagórica, não no sentido de dar medo, mas de se questionar se a sua presença é real ou imaginária.

Toda arte, é claro, é ficção em última análise. Trata-se de uma representação de algo que se enxergou, viveu ou simplesmente se pensou. O essencial não está naquilo que de fato aconteceu ou pode ter acontecido, mas sim na maneira técnica e poética como é apresentado. E, nesse ponto, Andrea Ramos tem uma delicada visão que emociona.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br