
Obras produzidas em tempos de coronavírus não escapam dos arquétipos e das simbologias. Talvez até os aprofundem, pois o momento, devido ao isolamento social, é justamente de reflexão e interiorização. Todo detalhe passa a ser visto com mais atenção e cuidado. O isolamento parece justamente estimular o olhar mais atento.
A imagem que ilustra este post, de Michele Angelillo, tem um fundo preto, diversos coronavírus ameaçadores em vermelho e, ao centro, uma figura, em branco, que concentra nosso olhar. Alguns podem ver ali um casal estilizado se abraçando; outros, a sugestão de um número 8 (oito).
E essas duas interpretações, combinadas ou separadas (e mesmo outras igualmente válidas) atestam o potencial de encantamento da imagem. Quem pensa no número oito, entra numa atmosfera de ampla riqueza de significados. Basta lembrar, por exemplo, que é no oitavo dia do nascimento que os judeus fazem a sua importante cerimônia da circuncisão.
Além disso, o oito deitado aponta para o infinito, um território sem começo/fim, nascimento/morte ou limite entre físico/espiritual ou divino/terreno. Nesse contexto, torcemos para que o amor entre o imaginário casal se espalhe pela humanidade de tal maneira que a sua força seja eterna e funcione como baluarte contra as dificuldades do presente.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br