textos

diárias de bordo

Arte em tempo de Coronavírus (134)

Arte em tempo de Coronavírus (134)
02/05/2020

A cineasta Marithê Azevedo encontra na pintura uma forma de expressão rica em expressividade. Feito com tinta acrílica sobre papel, o seu trabalho que ilustra este post mostra como cada construção visual é autônoma. O importante é a concepção mental que permite que o braço e a mão consigam realizar as ideias que estão na cabeça.

Seja o resultado final com uma tendência mais figurativa ou abstrata, o essencial é ter alguns princípios amadurecidos. Um deles é o da composição, que pode ser obtida pela maneira como formas, corres e suas tonalidades são dispostas na imagem. Seja mais intuitivo ou racional, o processo sempre diz muito de um artista.

Os amarelos, róseos e azuis que Marithê Azevedo utiliza auxiliam a criar áreas de intenso movimento, guiadas principalmente pela linha diagonal que ocupa do canto superior esquerdo para o inferior direito do suporte. Fica assim estabelecida uma linha para o olho se orientar e buscar as suas referências.

A utilização do ocre desempenha um importante papel. É um demarcador de áreas. Dentro delas, a tinta é utilizada de maneira suave, à moda de aquarela. O processo de utilização das técnicas mostra domínio de quem faz, em uma união entre o que se sente, o que se expressa e o que o observador, cada vez mais atento perante o confinamento devido à COVID-19, vê.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br