
A dicotomia confinamento/liberdade poucas vezes esteve tão em discussão como no presente momento. Enquanto questões biológicas envolvendo o novo coronavírus, a COVID-19 e a pandemia ganharam destaque no atual cenário de crise, conforme poderia se esperar; não era tão claro para a maioria de nós como a saúde mental ganharia importância.
A artista plástica Elyethe Marinho trabalha esse ponto de maneira significativa. Suas imagens lidam com dois elementos simétricos do momento. De um lado, vemos e sentimos pessoas aprisionadas, com medo do presente e do futuro e com quadros depressivos. O pânico, seja pelas incertezas de saúde pessoal ou pública – ou econômicas – paralisa.
Por outro, com inegável bom humor, algo fundamental para enfrentar realidades como esta, a artista coloca coronavírus, cuja representação visual infelizmente aprendemos a conhecer, livres, se espalhando, ameaçadores, como seres malignos de desenho animado, ficção científica ou de terror, livremente.
Um ensinamento deste momento da história que Elyethe Marino mostra é como se torna possível lidar com situações complexas com toques de ironia sem perder a seriedade. Assim, os flagrantes de solidão de seres humanos fechados em casas e ensimesmados contrastam com os microrganismos a nos espreitarem, numa jornada de vida e morte física e mental.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br