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Nos caminhos do tempo

Nos caminhos do tempo
01/05/2020

O que fazemos com o tempo? A resposta mais comum e pronnta é que ele tem momentos relativamente bem definidos. Existe o que foi feito no passado e o que está acontecendo no presente, que logo se transforma em passado. Outro conceito bastante consolidado é o de que arte permite, de alguma maneira, estar nesses tempos e permanecer no futuro.

As fotografias com sobreposições de Fernando Príamo ilustram essa ideia. São feitas, como a do relógio que está no átrio do Museu D’Orsay, m Paris, França, em algum momento passado, que foi um presente, mas, pela técnica utilizada pelo artista, como a tela “Persistência da Memória”, de Salvador Dalí, mostra a possibilidade de diluir a passagem dos minutos.

Talvez a arte que mereça mais e melhor esse nome seja aquela em que o artista parece atender um chamado. Haveria uma espécie de ancestralidade familiar a unir criadores de momentos históricos tão diferentes como um monge medieval, um pintor renascentista, um romântico, um realista, um vanguardista do século XX e um conceitual do XXI.

O chamado parece ser o mesmo. É uma força além do relógio. Obras como as de Fernando Príamo – e aquelas que o antecederam e que virão – funcionam como portais de ficção científica. São entradas e saídas de um mundo internos e imaginários que, nos seus melhores momentos, se conectam com a humanidade como um todo.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br