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Arte em tempo de Coronavírus (129)

Arte em tempo de Coronavírus (129)
01/05/2020

O Dia 1º de Maio de 1994 ficou marcado em toda uma geração de crianças e adolescentes pelo falecimento, no Grande Prêmio de Fórmula 1, no circuito de Ímola, do piloto Ayrton Senna da Silva. A data tornou-se uma referência e a pergunta “Onde você estava na hora do acidente?” é quase onipresente em diálogos entre novos conhecidos ou amigos.

O presente momento histórico, em que vocábulos como coronavírus, COVID-19 e pandemia, começaram a se tornar – infelizmente – cotidianos vai marcar também uma geração. Naquele momento, era a morte de um vencedor, símbolo de orgulho nacional. Agora, a contagem diária de falecimentos e o medo do contágio de cada um e das pessoas próximas predomina.

Quando olhamos para o trabalho “Inocência”, de Vanilson de Souza, o menino com máscara protetora que protagoniza a imagem ilustra toda uma geração que se viu, repentinamente, envolvida em uma jornada entre vida e morte; doença e saúde/ e acreditar ou desacreditar nas possibilidades de um futuro melhor.

Plasticamente, o artista cria laços de tonalidades de azul entre os olhos, a máscara e parte da imagem do computador. Talvez seja porque as visões de realidade de muitos jovens serão criadas em uma atmosfera muito diferente do que se poderia imaginar, talvez com medo do outro e tendo o mundo virtual como a principal grande janela para o mundo.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br