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Arte em tempo de Coronavírus (117)

Arte em tempo de Coronavírus (117)
30/04/2020

O que existe mais fascinante na leitura de imagens é que cada um pode ver nelas aquilo que considera mais enriquecedor. Geralmente, a pessoa encontra o que estava procurando. Os sentidos já estão preparados para encontrar uma visão de mundo interior que esperava a cristalização em uma imagem.

É o que ocorre na fotografia de Floriana Bertini que ilustra este post. O que você vê? (..............................................................................................) Veja aquilo que achar melhor, mas o que estamos contemplando é um canudo ecologicamente correto que, ao contrário do que seria sua função, não funcionava corretamente, impedindo a degustação de um milk-shake.

A situação frustrante é muito comum na situação de pandemia. Mesmo naqueles que não foram diretamente afetados fisicamente sentem impotência e insegurança. Nesse momento, entra maravilha do ser humano e da arte. Floriana olhou o canudo amassado com mais vagar, por um ângulo superior, e viu um coração. Fez a foto! A raiva se tornou amor.

A arte pode ser então uma vacina. Uma dificuldade nos conduz a produzir novos olhares de cura. Há quem veja o coração/canudo saindo de um planeta doente/copo com sorvete. Podemos ver o que quisermos, mas façamos isso com delicadeza e humanidade. Assim, a criação pode, mesmo quando tudo parece mais difícil, ajudar a fechar terríveis cicatrizes.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br