textos

diárias de bordo

Arte em tempo de Coronavírus (115)

Arte em tempo de Coronavírus (115)
30/04/2020

Como surge uma obra de arte? Alguns falam em inspiração; outros, em transpiração. Há os que dão percentuais a cada uma dessas facetas, em uma matemática que parece curiosa, esquisita até. Haveria um esforço mental de colocar em caixas de saber aquilo que talvez tenha no seu mistério o seu encantamento primordial.

Sim, fazer arte é interpretar o mundo e a si mesmo. E a tarefa é de tamanha complexidade, que cada imagem que surge abre um portal de sugestões, de discursos e de reflexões. Criar não é um apenas uma manifestação de estar no mundo, mas é um ser no mundo, uma integração consigo mesmo e com o que existe ao redor.

A obra de Mônica Vianna que ilustra este post, realizada com acrílico e detalhes de ouro sobre tela, é um vulcão em erupção em tempo de COVID-19. Os amarelos e vermelhos auxiliam nesse movimento ascensional em busca de algo, um amanhã, uma possibilidade. A questão maior é onde está o motorzinho intelectual que motiva a prosseguir.

Cada novo trabalho de um artista é justamente um passo de uma jornada existencial que caminha em rumo incerto. O maravilhoso da arte é que há pouco nela de previsibilidade. Os melhores exemplos são sempre aqueles que nos surpreendem, que apontam que o amanhã, como nesta tela, pode ser diferente do hoje, o que é lindamente desafiador.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br