
Reflexão. Talvez essa possa ser a melhor palavra para definir a imagem de Monica Vianna produzida nesta época de pandemia causada pelo coronavírus. Muitas pessoas, em confinamento para cuidar de si mesmo e dos outros, começaram, a olhar para o maior espelho que existe: o interior de si mesmas.
E isso não significa obrigatoriamente gostar daquilo que se vê. Os olhos fechados da protagonista do quadro apontam para esse caminho de interioridade e, se alguns podem ver o momento como sombrio, as pinceladas largas e a área mais iluminada acima da cabeça da figura central trazem a busca da força interior essencial para uma retomada.
Em termos pictóricos, a fusão proposta entre os cabelos e o corpo concede à obra uma intensidade visual próxima do expressionismo. No entanto, para essa exteriorização de sentimentos, existe o contraponto da interiorização proposta pela imagem. Esses dois movimentos, entre as cores que gritam e a figura central que silencia, impressiona.
A pintura de Monica Vianna gera impacto porque a imagem fala da artista enquanto pessoa e também enquanto integrante da sociedade, em igual proporção, de maneira inseparável. Afinal, como dizia o filósofo espanhol Ortega y Gasset, em 1937, em “La rebelión de las masas”, “Nós somos nós e as nossas circunstâncias”.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br