
É possível retratar um momento de uma nação por meio da arte abstrata? Talvez seja essa a pergunta que está na concepção do trabalho da artista uruguaia Soledad da Rosa. Ao mergulhar na realidade brasileira em tempos de pandemia, sua resposta visual é plena de expressividade.
Está marcada pela dor e pela esperança. É bastante significativo que as tonalidades do verde e do amarelo, geralmente vibrantes nas representações nacionais surjam rebaixadas pela presença de tons mais escuros associados ao luto e ao sofrimento. Mas, em meio a tudo, há áreas mais claras que apontam para uma luz a retomar caminhos.
Nesse sentido, observar um quadro é como administrar um projeto. Identificar regiões de maior ou menor necessidade de intervenção constitui uma prática do olhar. Se o pintor toma decisões, como o momento de saber parar quando julga que o quadro está pronto, um gestor faz a mesma coisa cotidianamente.
Conceber mentalmente um quadro e executá-lo é uma prática complexa, seja no abstrato ou no figurativo. Existe algo em comum, que é a busca por dar o máximo a cada instante. A decisão pela pincelada considerada correta e a escolha da composição e dos tons de cores são os desafios permanentes.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br