textos

diárias de bordo

Arte em tempo de Coronavírus (107)

Arte em tempo de Coronavírus (107)
27/04/2020

Quando se pensa no novo coronavírus e na COVID-19, uma palavra essencial é “cura”. Somos bombardeados quase todos dias por soluções fantásticas que muitas vezes não tem qualquer evidência científica. Existe, no entanto, além do caminho dos laboratórios, voltado para as necessidades do corpo, aspectos voltados para o foco da espiritualidade.

A mandala “Saúde”, de Erika Mendonça, aponta na direção dessa busca de harmonia entre o homem e o cosmos. Realizada sobre um disco de mdf, é composta por pedras quartzo verde, associadas justamente à cura, dentro de uma perspectiva que valoriza o pontilhismo, ou seja, a associação cuidadosa de pequenos elementos lado a lado.

Palavra sânscrita que significa “círculo”, a mandala constitui uma geometria que propõe, em sua essência, o retorno do ser humano a uma unidade com ele mesmo e com o universo. Para isso, delimita um espaço sagrado que pode ser usado para meditação e procura do equilíbrio, algo perdido na presente situação mundial de pandemia.

As mandalas, em termos visuais, como mostra o trabalho de Erika Mendonça, valem-se das cores para criar áreas nas figuras circulares que conduzam a uma concentração. A confecção de cada uma delas demanda paciência e uma estabilidade emocional que pode ser transmitida a quem as vê. Se não cura o corpo, pode, ao menos, o que não é pouco, acalmar a alma

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br