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Jornada pelo tempo

Jornada pelo tempo
27/04/2020

A arte tem a capacidade de plasmar momentos. Sejam de intensa alegria ou de profunda dor, esses instantes existenciais podem dar origem a inesquecíveis desenhos, pinturas, esculturas ou outros tipos de criação visual. O que está em questão nesses momentos é a capacidade de dar uma resposta técnica para uma inquietação interior.

A escultura de Angela Cestari que ilustra este post, segundo ela nos conta, surgiu das saudades da avó materna. O elemento motivador, o começo do processo artístico, foi justamente o vazio interno e os sentimentos que brotam quando alguém amado parte. Esse sofrimento vem exatamente da falta que o outro nos faz.

Esse conceito do vazio é explorado visualmente na obra realizada com a técnica japonesa do raku, cujas origens remontam ao século XVI. Os quatro elementos da natureza participam: modelagem do barro, queima em fornos, colocação da peça em locais com pouco oxigênio com elementos como a serradura e resfriamento no mergulho em água.  

Trata-se de uma complexa alquimia que pode, como ocorre no presente caso, plasmar uma interpretação de vida. A imagem de duas pessoas isoladas dos outros, mas em um gesto de proximidade e carinho, apontam como o afastamento forçado pode ser traumático. As lembranças e a arte, nesse sentido, permanecem em nossa contínua jornada pelo tempo.   

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.  Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br