O poder da doação de sangue
A doação de sangue traz o princípio de uma vida saudável e com qualidade para o portador de talassemia, tipo de anemia hereditária causada pela redução ou ausência da síntese da cadeia de hemoglobina, uma proteína situada no interior dos glóbulos vermelhos que tem a função de transportar oxigênio.
Perante o desafio plástico e criativo de trabalhar o tema, cada artista convidado para a elaboração da agenda 2009 da Associação Brasileira de Talassemia (Abrasta) oferece a sua visão. Angelo Palumbo, na capa, por exemplo, evoca as figuras dos heróis capazes de tudo conseguir pela sua força de vontade e entusiasmo.
A presença de anjos no ato da doação e do carinho, essencial no trato com qualquer enfermidade ou deficiência pontua o pensamento de Vera Matzen. Antônio Carlos Nicolielo se vale de simbologia semelhante ao ver a doação de sangue como um ato que faz crescer frutos em forma de coração.
O conceito de que o sangue preenche a vida das pessoas que dele necessitam fala alto na forma de Marcelo Cipis conceber o tema. Uma solução gráfica semelhante é obtida por Guto Lacaz ao trabalhar os pólos de uma pilha e o preto, o vermelho e o branco como alerta para a necessidade do diálogo para o existir da vida.
Marangoní prefere valorizar as pessoas beneficiadas pela doação e as que se alegram nesse ato. Assim, a vida prossegue em harmonia na conversa entre todos. Essa concepção da força do coletivo em que a ajuda entre uns e outros permite a existência de um todo harmônico permeia a imagem de Isabelle Tuchband.
Jaime Prades realiza sua reflexão a partir de alguns elementos bem marcados, associados à vida, como a mão, a taça, o sol e o coração. Este último surge de maneira duplicada na forma como Kaneaki Tada trata o tema, mesclando a doação aos tipos de sangue de maneira concisa e indagadora.
A aliança entre duas gotas, uma masculina e outra feminina, foi a forma de união apontada por David Dalmau. Essa mesma disponibilidade para a aliança entre as pessoas em nome da vida como bem maior da humanidade é enfatizada pela obra de Vera Ferro.
D. Esteves se vale da figuração para acentuar o pensamento de que a vida é um ato de doação, um desafio cotidiano de se dar ao outro sem perder a essência de si mesmo. A gratidão do jovem pintado por Canato reforça o poder do soriso e da franqueza como formas sublime de agradecimento.
Rui Amaral enfoca a solidariedade como um elemento fundamental da vida, marcada pelo bom humor. O universo da cor e o conceito do comprometimento geram uma verdadeira união entre as pessoas. Assim, cada ajuda se torna um ato de amor enfatizado por Tony de Marco.
A idéia do sangue aliado à vida está expressa no pensamento de Marta Oliveira, em seu trabalho na agenda 2009. A árvore surge como uma metáfora do poder multiplicador da doação para manter a vida do talassêmico, de portadores de outras doenças e vítimas de acidentes, que necessitam de sangue para continuar a sua trajetória.