
Se entendermos a arte como uma necessidade interna de se expressar, dialogando consigo mesmo e com o mundo, a obra de Renato Sette traz numerosas portas de entrada para refletir por onde a criação caminha, com a sua riqueza de possibilidades interpretativas. Afinal, uma criação visual é uma forma de dar vazão a uma percepção daquilo que se chama de realidade.
As suas recentes criações, realizadas em nanquim sobre papel, trazem numerosas referências do mundo contemporâneo das imagens. É na riqueza da intersecção entre diferentes tendências que o trabalho do artista ganha força e se torna contemporâneo, no sentido de abraçar e adaptar diversas vertentes simultaneamente.
Uma delas é o fato de Sette ser tatuador. Isso significa ter uma visão espacial localizada e atenta ao detalhe e as articulações da imagem no corpo. Outra é a presença de elementos marinhos, seja, animais, como tubarões e polvos, ou pescadores, que se articulam em combinações que funcionam como carimbos tribais.
E temos ainda o potencial das criações de Renato Sette funcionarem como murais ou grafites, já que parecem resistir bem a ampliações. Dessa maneira, a prática no estúdio, a vivência junto ao mar em Ihabela, SP, onde está radicado, e o olhar para os caminhos da arte no Brasil e no exterior configuram uma dinâmica própria, em constante processo de aperfeiçoamento.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br.