

A aquarela é um universo próprio. Para que ela funcione como técnica tem que se pensar sempre na ideia de que ela trabalha com o conceito de transparência. Afinal, é justamente no encanto e na magia do lidar com água que está toda a sua simbologia, caminhando para imagens fluidas, com atmosferas misteriosas e plenas de significados.
As pinceladas curtas e precisas de João Freire são indicativos do entendimento da aquarela como um mundo peculiar em que, por exemplo, não existe margem para o erro. Se o trabalho não ficar de acordo com o que se espera, o melhor caminho é se desfazer da obra e começar uma outra.
Toda essa dinâmica torna os aquarelistas seres em que costuma se desenvolver um grande senso da mancha e dos detalhes. Essas duas vertentes complementares ocorrem nas obras de Freire. Suas figuras centrais são construídas no sentido de mostrar os afetos que, ao se manifestarem pelo uso das máscaras hoje, garantem a existência do nosso amanhã.
Simultaneamente, existe uma legítima preocupação com a maneira plástica de construir os fundos dos trabalhos de maneira que dialoguem com os protagonistas. Essa consciência permite que cada obra seja um todo orgânico em que o uso do pincel contribua decisivamente para o resultado aprimorado do conjunto apresentado.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br.