
Artista paulista radicada em Mato Grosso, Marlene Trouva é uma especialista em encáustica, técnica que remonta ao antigo Egito e se caracteriza pelo uso da cera de abelha e do fogo para, em sucessivas camadas, atingir os resultados desejados, num universo de possibilidades de domínio da técnica com os efeitos naturais de texturas e temperaturas.
A imagem da artista, intitulada “Até quando?”, remete a diversos aspectos da existência humana e do coronavírus e da COVID-19. A presença da máscara, é claro, alude ao momento histórico que estamos vivendo, e a questão da dor que as pessoas estão enfrentando pode ser associada à trágica biografia da pintora mexicana Frida Kahlo.
Três elementos surgem com força na obra. Primeiro, a coragem da artista latina em sua constante luta para se expressar pela pintura; segundo, o uso de uma técnica que resiste ao tempo pelas suas características naturais; e terceiro, o alerta de que precisamos nos cuidar para termos um futuro – e para que ele seja melhor.
Em termos visuais a presença dos jogos de cores entre detalhes do arranjo no cabelo, o lenço no pescoço e o fundo contribuem para criar uma dinâmica equilibrada em um momento de desarmonia global. Tomara que a técnica milenar da encáustica e a força de Frida Kahlo apontem caminhos para a presente geração e para as futuras.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br.