
A figura circular do coronavírus tem uma relação direta com o planeta Terra ou mesmo com a galáxia em que habitamos. A relação do espaço é muito fascinante entre o microrganismo e as macroestruturas. Chegamos a nos perguntar, a toda hora, como um ser tão pequeno pode causar tanto estrago.
Talvez a indagação seja ingênua, mas ele vem com força quando se olha o trabalho visual deste post, realizada por Edmundo Cavalcanti. A imagem esférica, colocada no centro do quadro, também remete a um olho, e o fundo amarelo, com algumas estruturas enevoadas laterais pode, por que não?, remeter a uma caixa torácica.
Estamos aprendendo, afinal, infelizmente não da melhor maneira possível, como o pulmão sofre com o vírus e como ele se instala e suga a energia do doente, impossibilitado de respirar. Surge então a importância dos respiradores... E vamos, com tristeza e dor, aprendendo uma série de procedimentos e vocábulos que antes não existiam em nosso cotidiano.
A arte tem esse poder de nos fazer ver as imagens de muitas maneiras e, em consequência, o mundo de novos jeitos. Nas laterais do trabalho, surgem manchas, que podem sugerir silhuetas. Cada espaço, visto com atenção e cuidado, traz assim novas possibilidades de interpretação, estimulando a mente a ser mais livre, embora o corpo esteja confinado.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br.