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Fusão de técnicas

Fusão de técnicas
25/04/2020

Vivemos em um mundo em que as fronteiras entre certo e errado, entre arte e ciência, e entre bem e mal são cada vez mais tênues. Isso possibilita o crescimento, especificamente nas artes visuais, das chamadas técnicas mistas, ou seja, aquelas em que são utilizados recursos aparentemente distintos para atingir um determinado resultado.

Quando se deixa de pensar em verdadeiro e falso e se entra na seara da diversidade de opiniões, qualquer manifestação cresce em riqueza interpretativa. É o que ocorre na obra “Sensibilidade”, de Ana Maria Reis e Samuel Junior. A união do trabalho de um escultor que lida com aço reciclado e de uma artista têxtil especialista em bordado gera uma terceira coisa.

Se o metal pode parecer, em um primeiro momento, algo bruto; e o tricô, algo delicado, quando se observa a produção da dupla, é necessário rever esses conceitos estanques. A ave escolhida, o flamingo, traz, pelas mãos dos artistas, traz tanto a estrutura que lhe permite voar como a leveza que faz que a sua beleza seja encantadora.

As áreas vazadas da escultura, ao serem preenchidas pelas linhas tingidas, criam algo novo, indagador. A técnica pode ser levada, é claro, para outros temas, sendo interessante imaginar como funcionaria, por exemplo, com seres humanos, cada vez mais estimulados a desenvolver, simultaneamente, o que existe de tecnologia em sua mente e de sensibilidade em seu coração.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br.