
A arte chamada naif tem muitas características. Essa diversidade é justamente uma de suas riquezas. Rosângela Politano, além de ter uma importante atuação para divulgar o estilo tanto em Socorro, SP, onde está radicada, como em termos nacionais e internacionais, apresenta, em sua obra, duas vertentes essenciais.
Uma delas é a das festas populares, mostradas em sua alegria e colorido, resultado de um processo de pesquisa e de busca das motivações de cada uma delas, conhecendo os meandros e as expressões simbólicas que permitem a sua sobrevivência, mesmo em uma sociedade cada vez mais tecnológica.
Outra é a da crítica social. A artista mostra diversas facetas de um país imerso em escândalos de corrupção, questões de saúde pública e conflitos das mais variadas naturezas. Essas manifestações visuais funcionam, portanto, como um relato plástico de um país que poderia ser muito melhor do que é.
Esses dois aspectos da arte de Rosangela Politano não são excludentes, mas complementares. Exaltar as belezas de um povo é proporcional a questionar as mazelas dos poderosos. Praticadas com intensidade, as duas visões revelam a capacidade de refletir criticamente sobre o presente para construir um amanhã em que as tradições do passado ressurjam revigoradas.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.