
De onde surge afinal uma obra de arte? Existem aqueles que defendem a tese de há uma inspiração divina a comandar todo o processo. Outros se pautam por uma perspectiva racional, entendendo a ação criativa como uma jornada em que o trabalho e a pesquisa comandam os passos.
Esse tipo de discussão, que coloca muitas vezes o criador visual como um ser divino e iluminado sempre parece perigosa pois leva a um raciocínio em que o artista pode ser visto como alguém superior aos outros mortais, já que seria ungido ou tocado por uma varinha de condão a lhe indicar caminhos.
Péricles Gandi tem em sua obra repercussões desses pensamentos. Ele conta que a força motriz original da obra que ilustra este post está em uma viagem a Foz do Iguaçu, PR. No entanto, a jornada existencial vivida ganhou as características da construção de uma imagem paradisíaca. E não me refiro ao Éden bíblico, mas ao jardim mítico dele, criador da imagem.
Árvores azuis, folhas douradas redemoinhos que funcionam como olhos gigantescos e uma natureza pontuada por ramalhetes coloridos de flores acentuam o conceito de que a criação pode ser uma festa da mente, feita com técnica, dedicação e uma pitada de um elemento desconhecido a nos interrogar e fascinar sempre.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br