
Um dos aspectos da pandemia causada pelo coronavírus que fica em segundo plano perante, é claro, a perda de vidas, é a interrupção de projetos de viagem, por exemplo. Há pessoas que estavam a trabalho ou por lazer em distintas locais do globo e que, com o fechamento dos aeroportos, acabaram ficando isoladas, sem a possibilidade de voltar às suas casas.
A tela que ilustra este post apresenta um diálogo com uma situação com essa característica. A autora, a pintora, Julianna Vidnik, estava passando um ano sabático na Hungria, terra de seus ascendentes, mas a COVID-19 transformou o período em, como ela mesma diz, um “ano monástico”.
Como contraponto ao fato de estar “sem família, sem filhos, sem amigos e sem a nossa bela casa dos sonhos”, encontrou uma referência agradável em uma obra que já havia produzido e que a fez “relembrar as férias e uma das praias mais lindas do Brasil, Ponta Negra, Natal, RN“. A obra que alude a esse momento apresenta algumas características visuais importantes.
A presença do azul, em várias tonalidades e camadas horizontais, estabelece o equilíbrio, acentuado pelas roupas e pelo boné da figura masculina, enquanto as vestes da personagem feminina conversam com o céu. Os tons da pele, por sua vez, harmonizam com a areia e com o coração nela desenhado, apontando que esse clima de calma um dia poderá ser recuperado.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br