
O coronavírus a COVID-19 vêm sendo representados das mais diversas maneiras. A forma mais clássica é a imagem laboratorial que se conhece do microrganismo, que inclusive tem as protuberâncias que lhe dão o nome. Outros preferem caminhar pelas veredas da abstração, expressando os sentimentos de pavor que a pandemia dissemina.
Essas percepções podem, grosso modo, ser divididas em dois grandes grupos, aquele que vê a situação sob uma perspectiva caótica e apocalíptica; e os que acreditam que se está de fato caminhando para um amanhã melhor, com pessoas mais solidárias e conscientes quando tudo isso passar.
Poucas imagens, no entanto, personificam o que vem ocorrendo. Fabio Tolera, como “Seu Coronavírus”, feito com técnica mista, dentro da Exposição Virtual Arte em Casa, organizada por Telma Hartmann, traz o personagem sob um olhar diferente, com características humanas, antropomorfizando o movimento histórico que vivemos.
A imagem humanizada do coronavírus é o documento de um tempo estranho e inesperado. A figura em tom ocre sobre um fundo azul, com destaque para dois elementos vermelhos na parte inferior, traz uma estrutura visual equilibrada e enigmática para o principal dilema científico do começo de século – que a arte, com suas variáveis, também procura desvendar.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br