
Ao longo da história, artistas e cientistas sempre ocuparam posições de vanguarda. Leonardo da Vinci é o maior exemplo. Dentro do espírito renascentista, atingiu o patamar exemplar de um criador visual que se valia de métodos científicos e de um cientista que se expressava pela arte, com resultados que são referências até hoje em ambas as áreas.
Isso significa atingir resultados surpreendentes e diversos ao longo da carreira, fugindo de caixinhas preconcebidas e classificações simplistas. Para atingir um trabalho diferenciado, torna-se portanto imperioso pesquisar sempre e dizer aquilo que se deseja utilizando a técnica mais apropriada para cada mensagem que se busca transmitir.
A obra que ilustra este post, intitulada "Somos Todos Um 16-01-20", de SaNDrA HuAnG, parte de imagens de um obituário de um jornal chinês antigo. As tarjas pretas preservam o anonimato e reforçam o luto, enquanto os traços vermelhos ao redor dos documentos acentuam a dramaticidade e a identificação com a cor símbolo do país.
O trabalho em tinta acrílica e colagem sobre tela tem um fundo tempestuoso, em preto e banco, que acentua a ideia de caos. A imagem como um todo, ao destacar mortes individuais, lembra que todos estamos vulneráveis à pandemia e ter a consciência disso é o passo inicial para que o mundo possa se reerguer em conjunto deste significativo e triste momento.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br