
Por que a arte tem o poder de superar o tempo e o espaço? Ela se alimenta de ideias criativas, que relacionam diversos elementos e podem nos tornar seres humanos melhores. Esse é o caso do documentário “Céu de Querubins”, de Gustavo Massola, que cria elos entre pintura em lonas de caminhão e artesãs que fazem potes de barro para guardar água.
Tudo começa com o pintor Aecio Sarti, que realizou, em lona de caminhão usada, um painel de 12 x 8 metros criando um céu de querubins, bíblicas figuras de bebês alados tocando instrumentos musicais. Surgem dois simbolismos, o de que a lona comporta muitas histórias em sua trajetória e o de que o a religiosidade protege os caminhoneiros nas estradas.
Mas surge ainda mais um elemento. A lona pintada é utilizada para proteger o transporte de potes de barro produzidos por ceramistas de uma comunidade do sertão da Bahia. O motorista e seus ajudantes compram os potes novos e os levam para regiões próximas, trocando-os por potes velhos, usados, que são adquiridos no Sudeste por lojas de decoração.
Assim, o pote que mantém a água fresca ganha o status de obra de arte – e a jornada pelas estradas é abençoada pelas figuras divinas da lona. É estabelecido assim um círculo virtuoso, todo ele regido pela arte. A pintura e pote, com o passar do tempo, sofrem metamorfoses. E o mesmo acontece com as pessoas que, pela arte, olham o mundo de novas maneiras.
Mais informações sobre o projeto: https://www.gustavomassola.com/ceu
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br