
O confinamento traz uma nova maneira de cada um olhar não apenas para a sua família e para si mesmo, mas também para a própria casa. A noção de espaço passa ser revisitada, seja para verificar o que se tem e não se usa – e pode ser doado – como para perceber a necessidade de racionalizar melhor os ambientes.
Trata-se de um exercício praticamente revolucionário em uma sociedade que progressivamente foi focando o ter e não o ser. Isso tende a mudar em alguns aspectos, pois olhar ao redor de outro jeito já é um legado da pandemia. É triste verificar que mortes e doentes tenham levado a esse processo, mas ele vem ocorrendo.
Patricia Mesquita mostra objetos flagrados próximos de uma janela que nos ajudam nessa reflexão. Sua fotografia apresenta uma planta, livros e pequenos objetos de recordação e decoração. A presença deles e a sua organização são fatores que ganham uma importância difícil de pensar antes da quarentena.
Ações como essa de guardar e posicionar objetos em uma casa, algo quase intuitivo, começam a ser olhados por nós mesmos em maiores detalhes, como documentos daquilo que gostamos, como nos organizamos e do que somos. Olhar para cada minúcia com maior poder de reflexão e encantamento nos deixa psicologicamente mais fortes.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br