
A realidade atual do coronavírus e da COVID-19 nos apresenta um mundo fragmentado de maneira inimaginável há pouco temo. As polarizações e as desigualdades já se faziam presentes, é claro, mas o alastramento da doença e o despreparo para lidar com ela abriu feridas e escancarou cicatrizes.
Antonio Cavalcante apresenta neste post sua versão em ilustração feita com lápis sobre papel de uma obra a ser feita em tinta a óleo. Alguns elementos chamam a atenção dentro da temática do isolamento e como ele abala e transforma mentes. A imagem de rostos partidos e funciona como expressões de uma situação em que o tempo ganhou uma nova dimensão.
O confinamento leva a se ter uma nova dimensão da passagem das horas em um turbilhão ao redor, pois, se, em casa, os minutos parecem ser mais longos, por meio da mídia e das transformações que a sociedade vem passando, há uma aceleração de sentimentos, de emoções e de informações. Parece que cada vez menos damos conta da realidade.
Prédios, pássaros e céu fantasmagórico contribuem para esse conteúdo alegórico, em que as interpretações se abrem a cada novo olhar. O que somos e o que seremos manhã está imerso em incertezas e o trabalho, intitulado “Panaceia”, ou seja, um remédio milagroso que poderia curar todos os males, alerta que o remédio do que hoje vivemos não será única, mas virá de vários lugares.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br