
Há algumas obras de arte da história da humanidade que se tornaram ícones de sentimentos universais. Uma delas é a o quadro “O Grito” (1893), de Edward Munch, talvez apenas superado em fama pela “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci. A figura andrógena sobre uma ponte com duas figuras ao fundo em cores e estilo expressionista vem marcando gerações.
No atual momento de pandemia da COVID-19, Tuca Chicalé Galvan, integrante do Grupo OVO, que reúne ainda Erica Iassuda, Neusa Yamagushi e Thig Martins, encaminha uma imagem intitulada “Corona-Grito”. Realizada em tinta acrílica sobre papel Canson, mostra o célebre personagem da pintura norueguesa, o microrganismo e dezenas de pessoas.
O mais interessante é que os indivíduos aglomerados podem ser interpretados de várias maneiras. Pela diversidade de cores, indicam, por exemplo, que a pandemia atinge a todos, independendo de nacionalidade, crença, cor ou classe social. Trata-se de um mal que se dissemina por todas as camadas da sociedade nas condições específicas de cada uma delas.
Mas também indica que os organismos reagem de diferentes maneiras ao novo coronavírus. Há os que nada sentem, os que apenas transmitem, os que têm sintomas leves e, o que é mais triste, os que falecem. O fato é que o grito se espalha e nos torna todos simétricos na esperança de que a ciência encontre uma saída.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br