
A mitologia grega é uma fonte de referência fundamental na cultura ocidental. Ela nos traz informações arquetípicas e simbólicas essenciais para compreender melhor aquilo que nos forma para ser o que somos – ou pelo menos o que acreditamos ser. Suas narrativas e ícones alimentam, portanto, boa parte da produção escrita e visual.
Amanda Zanzi, ao gerar “Sentimentos Pétreos Por Medusa Contemporânea”, evoca uma figura mítica de grande força, com duas características primordiais: seus cabelos eram serpentes e quem olhasse para ela se transformava em pedra. O castigo lhe foi imposto pela deusa Atenas, pois Medusa teria sido uma bela sacerdotisa de seu templo que quebrara o voto de castidade.
As versões do mito de Medusa são variadas, existindo ainda a que a aponta como sendo uma das três Górgonas (Esteno e Euríale seriam as outras), horríveis filhas de divindades marinhas integrantes de um mundo visceral arcaico. Em ambas as origens, é acentuado, acima de tudo, o poder destruidor da personagem, que mata pela paralisia.
As linhas do trabalho de Amanda Sanzi podem ser lidas como fios de pensamento – e este não paralisa, mas liberta. Será pela capacidade da ciência de trilhar novos caminhos e pelas veredas felizmente imprevisíveis da criatividade da arte que a humanidade conseguirá reconstruir um renovado futuro.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br