


As relações entre palavra e artes visuais são absoluta e absurdamente fascinantes e trazem diversas indagações sobre os processos mentais utilizados no passado, aqueles presentes hoje em alguns criadores e ainda aponta para numerosas perguntas futuras sobre para onde esses laços convergem e divergem.
Três imagens de Thiago Prado, encaminhadas dentro das preocupações dominantes no planeta em relação ao coronavírus e à COVID-19, ajudam a refletir sobre o tema. Intituladas “07/04/1926”, “Desejos em braile” e “Uma tarde de domingo”, trazem uma interação interessante, que pode, de alguma maneira, ser condensada na ideia de criar atmosferas.
Quando se lê, por exemplo, “is in your hands”, em um clima sombrio e caótico, surge a ambiguidade de pensar o que é que manipulamos. Por um lado, o nosso destino, no momento em que tomamos cada decisão. Mas, no atual momento, também a mão tem o sentido de necessariamente estar limpa, higienizada, para não ser veículo de transmissão do vírus.
Os nomes dos atuais presidente e ministro da Saúde situam as obras na história e quando surge, no centro de uma das produções, rastros da obra “Um domingo de verão na Grande Jatte” (1884-1886), de Seurat, lembramos a beleza do que temporariamente se perdeu, mas será retomado com mãos e mentes limpas; e com o diálogo entre palavras e imagens.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br