
A porcelana tem caminhos muito peculiares, tanto pela sua origem oriental e posterior disseminação pela Europa como pela delicadeza que envolve a técnica, já que, no momento em que não há modelagem, o processo criativo está vinculado aos recursos técnicos e criativos de cada artista em propostas mais decorativas ou artísticas.
Essa situação pode ser ampliada no diálogo com a inserção de materiais ou reuso daqueles que quebram. Glaucia de Barros, nesse universo, aponta para uma vereda da porcelana que constitui uma jornada vivencial: o entendimento das suas potencialidades visuais rumo a assemblages e instalações.
Assim, a poética individual possa ser ampliada para utilização em situações e ambientes maiores. Uma das temáticas predominantes da artista é o feminino, caracterizado pelo pensar e fazer pautado na força que provém do interior, tendo como símbolo o cabelo, tradicionalmente relacionado à sensualidade e à afirmação da personalidade.
Outra vertente complementar à primeira é a das mãos. A união dessas propostas (o feminino e as mãos) aponta para a valorização da identidade feminina e seu reposicionamento em uma sociedade ainda machista. A beleza e o poder das mãos femininas, com ou sem interferências de outros materiais, podem assim atar encantos e conectar emoções.
Conheça mais o trabalho de Glaucia de Barros em @glauciadebarros
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br