
Os dados cotidianos sobre o coronavírus e a COVID-19 trazem informações sobre a pandemia que sequer podiam ser imaginadas em um primeiro momento. Uma delas, que agora começa a ser explorada pelos meios de comunicação, é que a doença, que atingiu inicialmente os mais abastados, como aqueles que viajavam ao exterior, começa a se alastrar pelas outras classes.
Com essa introdução, é mais atraente mergulhar na obra “Humanos no Turbilhão 07-04-20”, de SaNDrA HuAnG. Na pintura, em tinta acrílica sobre tela, há predominância das tonalidades quentes de vermelhos e alaranjados em movimentos curvos. A presença do preto, por sua vez, traz logo à mente as tristes imagens de pessoas sendo infectadas ou morrendo pelo mundo.
As três figuras humanas estilizadas podem representar justamente as pessoas isoladas umas das outras como maneira de combater o alastramento da doença. Entre elas, existem maremotos e terremotos de incertezas. O atual momento parece justamente ser caracterizado por esse movimento intenso que gera insegurança.
Seja pela instabilidade que sentimos sob nossos pés ou pelas ondas emocionais que afetam cada um de maneira distinta, o instante necessita ser de união e de responsabilidade de uns com os outros. A silhueta que está no canto inferior direito, ao não olhar para seus colegas nem para a situação ao seu redor, se aliena de todo o processo. E isso é ruim para todos.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br