
Se há algo que fascina os admiradores da arte, é a capacidade humana de reunir símbolos para formar metáforas plenas de força e significado visual. Certas imagens acabam causando tamanho impacto, que parecem ser feitas para ficar guardadas em um cantinho da memória, sempre prontas a nos espreitar.
Esse é o caso de um estudo feito por Elyethe Marinho sobre o momento em que vivemos. Estão ali cristalizadas diversas manifestações de grande importância para a cultura ocidental. O amálgama que surge, embora aparentemente conciso, gera numerosas evocações – e elas se acumulam em nossa mente.
Sobre o mundo, temos um ovo, no qual está enrolada uma serpente, que parece querer atingir o espaço. Esses três elementos, tanto no conjunto como individualmente, alertam para as muitas formas de enfrentar o mundo contemporâneo. Do ovo, podem nascer os males, com a bíblica serpente mostra, associada ao pecado original.
Dentro do ovo, pode estar o coronavírus. Assim como no filme de Ingmar Bergman chamada “O ovo da Serpente”, de 1977, que mostra a ascensão do nazismo, a serpente e seu ovo nesta imagem indicam, acima de tudo, uma transformação. Não sabemos em quanto tempo nem em qual direção, mas algo novo se avizinha, tomara que marcado pela solidariedade.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto #arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br