
O confinamento trouxe de volta ao nosso repertório algo um pouco esquecido: a estética da janela. Geralmente com um recorte retangular, ela se tornou hoje a maneira mais habitual de dialogar com o mundo externo, seja aquela que se abre para a rua ou aquela que nos acompanha dentro de casa, como um monitor de TV, computador ou visor de celular.
A janela tem um recorte para fora da casa, mas também para dentro. Na foto de Marcinha Moraes que ilustra este post, o tipo de vidro impede que se olhe para fora. A alternativa é focar o que está então antes do vidro. E é possível ver flores e cerâmicas. E o nosso olhar, mais treinado do que antes da pandemia a buscar a beleza dos detalhes, mergulha nas cores e formas.
É interessante ver como a natureza pode, literalmente, florescer, dentro de uma casa – e como traz alegria genuína ao ambiente. Isso sem contar que as tonalidades da natureza são absolutamente inimagináveis e infinitas. As texturas que folhas e flores oferecem trazem ainda um ensinamento constante para quem desenvolve a capacidade do olhar.
É importante lembrar que há, nas distintas formas de captar o mundo inteligências peculiares. Elas se desenvolvem com a prática e com a humildade. A percepção das alternâncias no artesanato ocorre nessa linha de raciocínio. Para admirar as belezas e sutilezas, internas ou externas, é necessário estar aberto a elas, como a presente imagem mostra.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto #arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br