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Quarentena inquieta

Quarentena inquieta
13/04/2020

Uma característica essencial deste período de quarentena é justamente que ela nos motiva a pensar mais no que somos e qual é o papel da arte na nossa vivência cotidiana. Ao tomar contato com os trabalhos encaminhados para o 1º Salão Nacional de Artes Visuais da Quarentena, cujas inscrições se encerraram dia 10/4/2020, torna-se fascinante ver como as mais diversas formas de criação convivem.

É curioso observar como há dois movimentos que correm em paralelo e se cruzam nas obras mais significativas. Por um lado, há criadores visuais que parecem motivados pelas diferenças existentes entre o mundo que está ao seu redor e aquele que desejariam ver. Há, portanto, diversas manifestações de crítica social ou relacionadas ao coronavírus e à COVID-19.

Por outro, surgem imagens com outra força motriz, que não exclui a primeira, marcada pelo inconformismo com a própria criação. São mergulhos técnicos que parecem autênticos gritos a anunciar que o artista sabe que está fazendo o melhor possível, mas que pode e deve se transformar sempre.

Os dois movimentos, quando caminham juntos, atingem os melhores resultados, como comprova este Salão. O artista inquieto com o mundo e com o seu trabalho tende a gerar obras proporcionalmente instigantes, pois o que realiza espelha justamente essa dinâmica (externo e interno), que o leva a uma jornada cada vez mais aprimorada.

Informações sobre o Salão: https://spark.adobe.com/page/1iG3QT6rk8xHK/

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.  Coordena o projeto #arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br