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Arte em tempo de Coronavírus (54)

Arte em tempo de Coronavírus (54)
12/04/2020

A arte de Marli Takeda se caracteriza pela utilização de formas orgânicas muito antes do coronavírus e da COVID-19. Olhar para os trabalhos da atual série “Flutuações”, que se iniciou no final de 2018, é um exercício de pensar como a arte caminha, no ateliê, ao lado dos grandes acontecimentos.

São mundos que, ora se tocando, ora se afastando, mantém inter-relações, pois o mundo está dentro do artista e o artista está dentro do mundo. A ideia de “flutuar” que Marli pesquisa lida com a ideia da permanência que existe na impermanência, pois permanecer na superfície consiste em se manter à tona pelo entrelaçar de formas e de pensamentos.

Para se manter sobre alguma coisa, é essencial ter um certo equilíbrio interno. E, em situações de crise como atual, essa prática, determinante, inclui um conceito que Marli vem lidando, que é o de felpas (cuja onomatopeia em japonês é fuwa fuwa), que alude justamente aos pelos salientes dos tecidos, ou seja, elementos macios, suaves e acolhedores.

O lugar imaginário que Marli propõe é o das felpas, ou seja um utópico local em que a harmonia possa prosperar. Na realidade distópica em que se vive, a possibilidade de uma utopia sensível e agradável é mais do que uma esperança, é um não-lugar para o qual podemos caminhar unidos, mas flutuando em segurança, como as figuras da artista apontam.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.