
Cientistas de todo o mundo vivem um quebra-cabeças para criar modelos matemáticos que consigam dar conta do desafio de entender melhor como o novo coronavírus se espalha. Precisam lidar com numerosas variáveis, que divergem entre cidades e nações, mas, acima de tudo, enfrentam a dificuldade de ter certeza que os dados obtidos são confiáveis.
A arte, em outra dimensão, trabalha com uma questão simétrica: a de se ter algum tipo de padrão, vale dizer, de estilo no qual um artista possa desenvolver, em determinado momento da carreira, uma linguagem na qual possa se aprofundar por meio da pesquisa constante e de um esforço permanente de adensar e aprofundar o que realiza.
Carlos Gomes vem conformando o seu estilo pelas linhas retas, por uma paleta de cores em que o azul e suas tonalidades têm um papel essencial e por uma geometrização que alude a referentes concretos do cotidiano que progressivamente são diluídos pelas composições exploradas na superfície da tela ou do papel.
Perante a pandemia da COVID-19, o artista toma como ponto de partida o microrganismo e o estiliza, expandindo-o no espaço. A presença dele no ar ou sobre uma superfície ocre, que remete a uma mesa, alerta que se proteger é a única alternativa. Estar isolado vendo o trabalho de Carlos Gomes, portanto, é uma bela forma de estar juntos e saudáveis em breve.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.