
A arte da colagem, que consiste na composição de imagens a partir do uso de materiais sobrepostos ou colocados lado a lado, merece uma reflexão muito especial. Embora tenha seus primórdios na China e no Japão, com uso na Idade Média e no século XIX, ganhou status artístico quando passou a ser utilizada no cubismo no século XX.Naquele momento, deixou de ser vista, no Ocidente, como uma expressão menor. Pedaços de jornal e impressos de folhetos de espetáculos ou de propaganda começaram a ganhar espaço, mostrando que papéis e tecidos podem ser incorporados à superfície plana para criar novas e infinitas percepções.Na imagem que ilustra este post, A Ferreira se vale da colagem, destacando uma das mãos da figura central e, como se sabe, a limpeza correta e contínua delas é umas formas mais importantes de combate ao novo coronavírus. A personagem central, pela forma como está vestida e pela composição ao seu redor, instaura uma atmosfera de mistério.Tem o rosto de uma ave, que remete a uma coruja, com corpo humano, aludindo a personagens de culturas mesoamericanas. A presença de uma serpente traz mais simbologias. É como se a figura central fosse uma sacerdotisa em meio a possíveis labaredas de fogo, num interessante jogo entre linhas retas e curvas que valoriza a colagem como forma de expressão.Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.