
Quando se pensa em um momento de restrição social devido à pandemia causada pelo novo coronavírus, a primeira ideia visual que muitas vezes salta à mente é justamente a desse microrganismo. No entanto, a necessidade imperiosa de reclusão obriga também a se fechar em uma espécie de casulo, o que restringe o físico, mas abre a mente.Danilo Araujo Nogueira trabalha com metros de tecido costurado justamente a sua relação entre o externo e o interno. O formato mais fechado, que alude a um ninho, surge, nesse contexto, como uma espécie de abrigo e de proteção ao mundo externo, mas, internamente, estão ali as costuras e dobras da complexidade de cada um.A falta do outro, a ausência daqueles com quem se está habituado a estar, gera uma onipresença de si mesmo. Trata-se de um exercício para o qual não se está muito habituado. É difícil conviver consigo mesmo, entendendo-se essa prática em toda a sua verdade, densidade e complexidade.A obra de Danilo Araujo Nogueira nos faz repensar o espaço do indivíduo em várias dimensões, tanto perante a sociedade como perante as suas inquietações interiores. Talvez, nesse aspecto, o maior desafio do confinamento seja estimular um intenso contato com as nossas costuras internas. É uma tarefa que pode ser prazerosa, mas não é nada fácil.Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.