
Uma das maravilhas da arte é que ela funciona como uma fiel companheira, seja em tempo de alegria ou de tristeza. O momento de criação é único, mas a maneira como olhamos para ela se altera ao longo do tempo. Nosso estado de espírito vai mudando – e nosso olhar para uma mesma obra vai progressivamente também se alterando e enriquecendo.
“O Silêncio Interior”, de Billy Gibbons, ilustra justamente esse movimento. Há duas esferas que ganham destaque, enquanto uma terceira surge mais ao fundo. É o tipo de composição e de apresentação visual que leva a uma reflexão sobre a nossa percepção de mundo e sobre os motivos essenciais que nos tornam humanos.
É curioso como essas galáxias permeadas de cores podem indicar aquilo que melhor quisermos ver, sejam elementos do universo, pessoas simbolicamente representadas em sua grandiosidade cósmica ou mesmo organismos microscópicos que podem ser tanto a causa de nossa morte ou salvação.
A diferenciada maneira de trabalhar essas esferas é que enriquece a obra. Elas instauram uma atmosfera poética misteriosa, cuja voz é a da cor e do espaço. Se, por um lado, parecem ser maiores do que nós, pensando em uma dimensão sideral, também podem ser micropartículas de nosso corpo. É essa ambivalência que as torna fascinantes.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.